O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é, de forma bastante simplificada, uma condição que afeta a maneira como o paciente compreende e interage com o mundo e as pessoas ao seu redor. Sabendo o que é autismo, entende-se também que uma pessoa com TEA pode necessitar de diferentes níveis de suporte e, é nesse contexto que o termo “autismo leve” acaba sendo empregado, normalmente de forma equivocada. Ficou curioso(a) e quer entender melhor? Vamos te explicar!
Principais Tópicos Deste Artigo
O que é autismo?
Autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta cerca de 1 em cada 44 crianças, sendo mais comum em meninos do que em meninas. Acredita-se que o TEA seja causado pela interação entre fatores genéticos e ambientais. Ele pode estar associado a outras doenças e afetar habilidades sociais, de comunicação, sensoriais, de autorregulação dentre outras.
O transtorno do espectro autista caracteriza-se por déficits persistentes na comunicação social e na interação social em múltiplos contextos, incluindo déficits na reciprocidade social, em comportamentos não verbais de comunicação usados para interação social e em habilidades para desenvolver, manter e compreender relacionamentos. Além dos déficits na comunicação social, o diagnóstico do transtorno do espectro autista requer a presença de padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades.
De acordo com a 5ª versão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), o TEA possui 3 níveis de gravidade ou apoio, que se baseiam em prejuízos na comunicação social e em padrões de comportamento restritos e repetitivos. Nesse contexto, o termo “autismo leve” é muitas vezes empregado equivocadamente como sinônimo de autismo nível 1 de gravidade, o mais “leve” dentre os três.
Os níveis de gravidade ou de apoio do Transtorno do Espectro do Autismo.
Nível 1 – Requer apoio
Uma pessoa com autismo nível 1, também popularmente conhecido como “autismo leve”, normalmente requer algum apoio, ainda que mínimo, para enfrentar desafios sociais. Sintomas comuns neste nível são:
- dificuldade para iniciar conversas;
- dificuldade para manter as conversas;
- necessidade de seguir padrões comportamentais rígidos;
- sentir-se desconfortável com mudanças;
- necessidade de ajuda para organização e planejamento.
Nível 2 – Requer apoio substancial
Neste nível, as habilidades sociais estão bastante prejudicadas. O paciente requer mais apoio que no nível 1 e, ainda assim, pode ter dificuldade em se comunicar com clareza. Enfrentar mudanças pode ser algo extremamente desafiador e gerar um sofrimento significativo. Outros sintomas comuns no nível 2 de apoio do TEA são:
- falar através de frases curtas;
- discutir apenas tópicos muito específicos;
- ter dificuldade em entender ou usar a comunicação não verbal, incluindo a expressão facial.
Nível 3 – Requer apoio muito substancial
Este é o nível em que o paciente necessita de muito apoio para que consiga ter habilidades sociais mínimas e comportamentos adequados. São pessoas extremamente inflexíveis, com interação limitada e dificuldade para exercer suas atividades diárias. A Figura 1, extraída do DSM-V, ilustra as principais características de cada nível de apoio.
Autismo leve e o diagnóstico tardio
Sim, se você leu o texto até aqui já percebeu que estamos utilizando o termo “autismo leve” de forma proposital. Afinal, apesar de muitas vezes os sintomas parecerem sutis, eles podem gerar sim algum prejuízo na vida dessas pessoas.
Infelizmente, um dos problemas enfrentados nestas situações é o do diagnóstico tardio. Justamente por esses pacientes, mesmo com dificuldades, conseguirem ter uma vida muito próxima do normal, o diagnóstico acontece apenas na vida adulta. Em algumas situações, inclusive, ele ocorre concomitantemente com o diagnóstico dos filhos! Por isso, havendo sintomas, procure ajuda médica.
Neste texto explicamos para você que “autismo leve” é um termo usado equivocadamente para se referir ao autismo nível 1 de apoio, que é o menos grave dentre os três níveis atualmente aceitos. Ainda, mostramos as principais características de cada um desses níveis de apoio e reforçamos a importância de se realizar o diagnóstico correto do TEA. Se você quiser saber mais sobre o assunto, não deixe de ler nosso artigo: “O que é autismo”.
Dr. Matheus Trilico é neurologista referência no diagnóstico e acompanhamento de TEA e TDAH em adultos. Formado em medicina pela Faculdade Estadual de Medicina de Marília (FAMEMA) e com residência em Neurologia pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR) e mestre também pela UFPR. Além de atuar como neurologista em consultório privado e no Sistema Único de Saúde (SUS), realiza também atividades acadêmicas. Dr. Matheus Trilico acredita que o ser humano precisa conhecer bem sua saúde e, por isso, transmite as informações sobre o quadro clínico de forma clara e didática, reafirmando seu compromisso com a exímia relação médico-paciente. Amante da tecnologia, busca utilizá-la para agregar conhecimento e facilitar a vida dos pacientes, mas sem perder seu foco: o humanismo e a qualidade do atendimento médico.
CRM 35.805/PR – RQE 24.818