Teste de autismo e TDAH: 4 questionários de triagem para adultos

7 minutos
Símbolo do autismo - Dr Matheus Trilico Neurologista
Compare AQ-50, EQ-60, CAT-Q e ASRS-18, entenda o que cada pontuação indica e quando buscar avaliação. Faça o teste de autismo e TDAH grátis.
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O teste de autismo e TDAH desta página reúne quatro questionários de triagem para adultos, publicados por pesquisadores em revistas científicas. Triagem é um filtro inicial, que ajuda a decidir quem deve passar por uma avaliação. Três testes estão ligados ao Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e um ao Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

Juntos, eles somam 153 perguntas. Por qual começar, o que a sua pontuação quer dizer e o que fazer com ela? Quer entender melhor? Então continue lendo!

Como saber se tenho TDAH ou autismo?

Para saber se você tem TDAH, autismo ou os dois, é preciso uma avaliação clínica com um neurologista ou psiquiatra que conheça essas condições em adultos. Responder a um questionário de triagem antes da consulta é opcional, mas pode ajudar. Ele mostra se as suas respostas se parecem com as das pessoas que participaram dos estudos originais, e o resultado entra na consulta como uma pista.

Na consulta, o médico conversa sobre a sua história desde a infância, ouve pessoas próximas quando possível e investiga outras explicações, como ansiedade ou sono ruim. Às vezes, entra também uma avaliação neuropsicológica do TEA em adultos, feita por psicólogo especializado. As semelhanças e diferenças entre as duas condições estão no texto autismo e TDAH em adultos.

Qual teste de autismo e TDAH fazer primeiro?

Comece pelo teste que conversa com a sua principal dúvida. Se você desconfia de autismo, o ponto de partida é o AQ-50. Se a dificuldade maior é manter a atenção, se organizar e controlar a impulsividade, comece pela ASRS-18. Ficou entre os dois? Faça os dois. A tabela resume o que cada um avalia:

TesteO que avaliaPerguntasQuando faz sentido
AQ-50Traços autistas em adultos50Você desconfia de autismo
EQ-60Facilidade de perceber e responder ao que o outro sente60Complemento do AQ-50
CAT-QEsforço para disfarçar traços autistas no convívio25Você sente que “atua” para se encaixar
ASRS-18Sintomas de TDAH nos últimos seis meses18Você desconfia de TDAH

Mas como cada um funciona por dentro? Continue lendo que explicamos a seguir!

Como funciona cada questionário?

Nos quatro testes, você responde a frases ou perguntas sobre o seu dia a dia, seguindo as opções e o período pedidos em cada questionário. As respostas viram uma pontuação, que pode ser comparada com a dos grupos estudados pelos autores. Veja o que cada um mede e de onde vêm os números de referência.

1. AQ-50: o Quociente do Autismo

O Quociente do Autismo (AQ-50) tem 50 frases sobre habilidades sociais, troca de atenção (mudar o foco de uma coisa para outra), atenção a detalhes, comunicação e imaginação. A pontuação vai de 0 a 50, e quanto mais alta, mais traços autistas a pessoa relata. O teste foi publicado em 2001 por Simon Baron-Cohen e colegas, da Universidade de Cambridge. O estudo original incluiu 58 adultos com síndrome de Asperger ou autismo sem deficiência intelectual. Entre eles, 80% fizeram 32 pontos ou mais, contra 2% do grupo de comparação.

Em 2005, Woodbury-Smith e colegas aplicaram o AQ em 100 adultos encaminhados a um serviço de diagnóstico de autismo. Nesse grupo, o ponto de corte de 26 funcionou bem para triagem. Ponto de corte é a pontuação a partir da qual o teste acende o alerta, e ele muda conforme quem responde. Faça o AQ-50 e, para conhecer os sinais que costumam passar despercebidos, leia nosso texto sobre autismo em adultos.

2. EQ-60: o Quociente de Empatia

O Quociente de Empatia (EQ-60) mede a facilidade de perceber o que outra pessoa pensa ou sente e de responder a isso. Ele foi publicado em 2004 pela mesma equipe e tem 60 frases: 40 contam pontos e 20 são frases de controle, que não entram na conta. A pontuação vai de 0 a 80. No estudo original, com adultos com síndrome de Asperger ou autismo sem deficiência intelectual, 81% fizeram 30 pontos ou menos, contra 12% do grupo de comparação.

Pontuação baixa no EQ indica que a pessoa relata mais dificuldade em perceber e responder ao que o outro sente, e o teste não mede caráter. No consultório, muitos adultos autistas contam que sentem com intensidade o sofrimento dos outros, mesmo quando demoram a perceber os sinais. Na prática, usamos o EQ como complemento do AQ-50. Faça o EQ-60.

3. CAT-Q: camuflagem de traços autistas

O Questionário de Camuflagem de Traços Autísticos (CAT-Q) mede o quanto uma pessoa esconde ou compensa os seus traços autistas no convívio social. Laura Hull e colegas, da University College London, criaram o teste a partir de relatos de adultos autistas. Depois, o testaram com 354 adultos autistas e 478 não autistas, em estudo publicado em 2019. São 25 frases, respondidas em uma escala de 7 pontos, de “discordo totalmente” a “concordo totalmente”, em três grupos:

  • Compensação: estratégias para dar conta das dificuldades nas situações sociais.
  • Mascaramento: esconder características autistas e mostrar um jeito de ser que parece não autista.
  • Assimilação: o esforço de se encaixar no grupo durante as interações.

O estudo do CAT-Q não propôs ponto de corte: quanto mais alta a pontuação, maior a camuflagem relatada. Entre os adultos autistas do estudo, quem camuflava mais relatava um pouco mais de ansiedade e de depressão. É uma associação de fraca a moderada, que não mostra o que causa o quê. No consultório, vemos esse padrão com frequência em mulheres que chegam exaustas depois de anos “atuando” no trabalho e na vida social. Faça o CAT-Q e leia também sobre sinais de autismo em mulheres.

4. ASRS-18: a escala da OMS para adultos

A Escala de Autorrelato de Sintomas de TDAH em Adultos (ASRS-18) tem 18 perguntas sobre dificuldades dos últimos seis meses. Elas tratam de terminar tarefas, se organizar, lembrar compromissos e esperar a vez. A escala foi criada junto com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e publicada em 2005 por Ronald Kessler e colegas. O estudo incluiu 154 adultos nos Estados Unidos. Nesse estudo, uma versão curta, com 6 das 18 perguntas, identificou 68,7% dos adultos com TDAH, e a soma das 18 perguntas identificou 56,3%. Ou seja, um resultado baixo não exclui o diagnóstico.

Faça a ASRS-18. O nosso teste usa as 18 perguntas em dois blocos de nove. A leitura por blocos é uma orientação prática do blog e não foi validada em estudos. Explicamos como ela funciona no texto sobre como funciona a ASRS-18. Para entender como o TDAH aparece depois dos 18 anos, leia sobre déficit de atenção e hiperatividade no adulto.

Já fez os testes e quer saber o que fazer com os números? Continue lendo!

Como interpretar o resultado do teste de autismo e TDAH?

Uma pontuação alta no AQ-50, baixa no EQ-60 ou com muitas respostas frequentes na ASRS-18 indica que vale conversar com um médico sobre o assunto. No CAT-Q, uma pontuação alta indica maior camuflagem relatada. Em nenhum dos quatro testes uma pontuação baixa exclui a condição. Na hora de ler o seu resultado, vale lembrar:

  • Siga o período pedido em cada teste. A ASRS-18, por exemplo, pergunta sobre os últimos seis meses.
  • Autismo e TDAH aparecem juntos com frequência. Uma meta-análise publicada na Lancet Psychiatry em 2019 por Lai e colegas reuniu estudos sobre várias condições em pessoas autistas de todas as idades. Para o TDAH, a estimativa foi de cerca de 28%, com taxas maiores em pessoas atendidas em serviços de saúde.
  • Conte como está o seu momento. Se você está passando por uma fase de muita ansiedade, tristeza ou cansaço, diga isso ao médico junto com o resultado.
  • Nenhum teste online substitui a consulta. Não use o resultado como “autodiagnóstico” nem para começar ou parar qualquer tratamento.

Quando procurar um neurologista ou psiquiatra?

Procure avaliação quando as dificuldades atrapalham a sua vida há bastante tempo, qualquer que tenha sido a pontuação. Pense no trabalho ou no estudo que não rende apesar do esforço e em relacionamentos que se desgastam. Pense também no cansaço extremo depois de encontros sociais, nos esquecimentos frequentes ou naquela sensação antiga de que “algo em mim funciona diferente”.

Na consulta, o médico ouve a sua história, aplica escalas clínicas e investiga outras causas para o que você sente. Se for o caso, confirma o diagnóstico e propõe um plano de cuidado. Este texto é educativo e não substitui a avaliação individual com um profissional de saúde. Agende uma avaliação para TEA e TDAH em adultos e leve a pontuação dos seus testes.

Ainda ficou com alguma dúvida? Veja as perguntas que mais recebemos.

Perguntas frequentes

O teste de autismo e TDAH online é confiável?

Ele serve como triagem e não faz diagnóstico. Os estudos citados aqui testaram as versões originais, em inglês. As versões desta página são traduções para o português, que não foram testadas neste formato online, e o resultado serve para orientar a conversa com o médico. Responda com sinceridade, pensando em como você costuma ser. Depois, leve a pontuação a um profissional, que vai lê-la junto com a sua história de vida.

Posso fazer o teste de TDAH se já desconfio de autismo?

Pode, e faz sentido. As duas condições aparecem juntas com frequência: a revisão de Lai e colegas, de 2019, estimou que cerca de 28% das pessoas autistas também têm TDAH. No consultório, vemos sintomas que se misturam, como a distração de quem está cansado de processar tantas informações sociais. Levar os dois resultados para a consulta ajuda o médico a montar o quadro completo e a decidir por onde começar.

O teste de TDAH e autismo é gratuito?

Sim. Os quatro testes desta página são gratuitos. Você pode fazer um por vez, no seu ritmo, e voltar depois para os outros. Anote a pontuação de cada um para levar à consulta, porque o médico vai olhar o conjunto dos resultados junto com a sua história.

O resultado deu baixo, mas você se identifica com os sinais?

Isso acontece, porque nenhuma pontuação baixa exclui autismo ou TDAH. No consultório, vemos esse caso com frequência em mulheres e em adultos que aprenderam a disfarçar bem as dificuldades. Se os sinais atrapalham a sua vida, procure um neurologista ou psiquiatra com experiência em adultos. A avaliação inclui a sua história desde a infância, o relato de familiares e a observação direta, coisas que nenhum questionário cobre.

Conclusão

Neste artigo explicamos para você como funciona o teste de autismo e TDAH em adultos do nosso blog. Ele reúne o AQ-50, o EQ-60, o CAT-Q e a ASRS-18. Mostramos o que cada questionário mede, de onde vêm os números de referência e como ler a sua pontuação. O resultado é o começo de uma investigação feita junto com um profissional.

A sua pontuação acendeu o alerta, ou você se reconheceu nos sinais descritos? O próximo passo é uma avaliação com um neurologista com experiência em TEA e TDAH no adulto. O Dr. Matheus Trilico atende adultos com TEA e TDAH em Curitiba e por telemedicina. Conheça melhor o Dr. Matheus Trilico e agende sua consulta. Gostou? Então compartilhe o conhecimento!

Referências Bibliográficas

  1. Baron-Cohen S, Wheelwright S, Skinner R, Martin J, Clubley E. The autism-spectrum quotient (AQ): evidence from Asperger syndrome/high-functioning autism, males and females, scientists and mathematicians. J Autism Dev Disord. 2001;31(1):5-17. PMID 11439754. https://doi.org/10.1023/a:1005653411471
  2. Woodbury-Smith MR, Robinson J, Wheelwright S, Baron-Cohen S. Screening adults for Asperger Syndrome using the AQ: a preliminary study of its diagnostic validity in clinical practice. J Autism Dev Disord. 2005;35(3):331-335. PMID 16119474. https://doi.org/10.1007/s10803-005-3300-7
  3. Baron-Cohen S, Wheelwright S. The empathy quotient: an investigation of adults with Asperger syndrome or high functioning autism, and normal sex differences. J Autism Dev Disord. 2004;34(2):163-175. PMID 15162935. https://doi.org/10.1023/b:jadd.0000022607.19833.00
  4. Hull L, Mandy W, Lai MC, Baron-Cohen S, Allison C, Smith P, Petrides KV. Development and validation of the Camouflaging Autistic Traits Questionnaire (CAT-Q). J Autism Dev Disord. 2019;49(3):819-833. PMID 30361940. https://doi.org/10.1007/s10803-018-3792-6
  5. Kessler RC, Adler L, Ames M, et al. The World Health Organization Adult ADHD Self-Report Scale (ASRS): a short screening scale for use in the general population. Psychol Med. 2005;35(2):245-256. PMID 15841682. https://doi.org/10.1017/s0033291704002892
  6. Lai MC, Kassee C, Besney R, et al. Prevalence of co-occurring mental health diagnoses in the autism population: a systematic review and meta-analysis. Lancet Psychiatry. 2019;6(10):819-829. PMID 31447415. https://doi.org/10.1016/S2215-0366(19)30289-5
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