O teste de autismo e TDAH desta página reúne quatro questionários de triagem para adultos, publicados por pesquisadores em revistas científicas. Triagem é um filtro inicial, que ajuda a decidir quem deve passar por uma avaliação. Três testes estão ligados ao Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e um ao Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
Juntos, eles somam 153 perguntas. Por qual começar, o que a sua pontuação quer dizer e o que fazer com ela? Quer entender melhor? Então continue lendo!
Principais Tópicos Deste Artigo
Como saber se tenho TDAH ou autismo?
Para saber se você tem TDAH, autismo ou os dois, é preciso uma avaliação clínica com um neurologista ou psiquiatra que conheça essas condições em adultos. Responder a um questionário de triagem antes da consulta é opcional, mas pode ajudar. Ele mostra se as suas respostas se parecem com as das pessoas que participaram dos estudos originais, e o resultado entra na consulta como uma pista.
Na consulta, o médico conversa sobre a sua história desde a infância, ouve pessoas próximas quando possível e investiga outras explicações, como ansiedade ou sono ruim. Às vezes, entra também uma avaliação neuropsicológica do TEA em adultos, feita por psicólogo especializado. As semelhanças e diferenças entre as duas condições estão no texto autismo e TDAH em adultos.
Qual teste de autismo e TDAH fazer primeiro?
Comece pelo teste que conversa com a sua principal dúvida. Se você desconfia de autismo, o ponto de partida é o AQ-50. Se a dificuldade maior é manter a atenção, se organizar e controlar a impulsividade, comece pela ASRS-18. Ficou entre os dois? Faça os dois. A tabela resume o que cada um avalia:
| Teste | O que avalia | Perguntas | Quando faz sentido |
|---|---|---|---|
| AQ-50 | Traços autistas em adultos | 50 | Você desconfia de autismo |
| EQ-60 | Facilidade de perceber e responder ao que o outro sente | 60 | Complemento do AQ-50 |
| CAT-Q | Esforço para disfarçar traços autistas no convívio | 25 | Você sente que “atua” para se encaixar |
| ASRS-18 | Sintomas de TDAH nos últimos seis meses | 18 | Você desconfia de TDAH |
Mas como cada um funciona por dentro? Continue lendo que explicamos a seguir!
Como funciona cada questionário?
Nos quatro testes, você responde a frases ou perguntas sobre o seu dia a dia, seguindo as opções e o período pedidos em cada questionário. As respostas viram uma pontuação, que pode ser comparada com a dos grupos estudados pelos autores. Veja o que cada um mede e de onde vêm os números de referência.
1. AQ-50: o Quociente do Autismo
O Quociente do Autismo (AQ-50) tem 50 frases sobre habilidades sociais, troca de atenção (mudar o foco de uma coisa para outra), atenção a detalhes, comunicação e imaginação. A pontuação vai de 0 a 50, e quanto mais alta, mais traços autistas a pessoa relata. O teste foi publicado em 2001 por Simon Baron-Cohen e colegas, da Universidade de Cambridge. O estudo original incluiu 58 adultos com síndrome de Asperger ou autismo sem deficiência intelectual. Entre eles, 80% fizeram 32 pontos ou mais, contra 2% do grupo de comparação.
Em 2005, Woodbury-Smith e colegas aplicaram o AQ em 100 adultos encaminhados a um serviço de diagnóstico de autismo. Nesse grupo, o ponto de corte de 26 funcionou bem para triagem. Ponto de corte é a pontuação a partir da qual o teste acende o alerta, e ele muda conforme quem responde. Faça o AQ-50 e, para conhecer os sinais que costumam passar despercebidos, leia nosso texto sobre autismo em adultos.
2. EQ-60: o Quociente de Empatia
O Quociente de Empatia (EQ-60) mede a facilidade de perceber o que outra pessoa pensa ou sente e de responder a isso. Ele foi publicado em 2004 pela mesma equipe e tem 60 frases: 40 contam pontos e 20 são frases de controle, que não entram na conta. A pontuação vai de 0 a 80. No estudo original, com adultos com síndrome de Asperger ou autismo sem deficiência intelectual, 81% fizeram 30 pontos ou menos, contra 12% do grupo de comparação.
Pontuação baixa no EQ indica que a pessoa relata mais dificuldade em perceber e responder ao que o outro sente, e o teste não mede caráter. No consultório, muitos adultos autistas contam que sentem com intensidade o sofrimento dos outros, mesmo quando demoram a perceber os sinais. Na prática, usamos o EQ como complemento do AQ-50. Faça o EQ-60.
3. CAT-Q: camuflagem de traços autistas
O Questionário de Camuflagem de Traços Autísticos (CAT-Q) mede o quanto uma pessoa esconde ou compensa os seus traços autistas no convívio social. Laura Hull e colegas, da University College London, criaram o teste a partir de relatos de adultos autistas. Depois, o testaram com 354 adultos autistas e 478 não autistas, em estudo publicado em 2019. São 25 frases, respondidas em uma escala de 7 pontos, de “discordo totalmente” a “concordo totalmente”, em três grupos:
- Compensação: estratégias para dar conta das dificuldades nas situações sociais.
- Mascaramento: esconder características autistas e mostrar um jeito de ser que parece não autista.
- Assimilação: o esforço de se encaixar no grupo durante as interações.
O estudo do CAT-Q não propôs ponto de corte: quanto mais alta a pontuação, maior a camuflagem relatada. Entre os adultos autistas do estudo, quem camuflava mais relatava um pouco mais de ansiedade e de depressão. É uma associação de fraca a moderada, que não mostra o que causa o quê. No consultório, vemos esse padrão com frequência em mulheres que chegam exaustas depois de anos “atuando” no trabalho e na vida social. Faça o CAT-Q e leia também sobre sinais de autismo em mulheres.
4. ASRS-18: a escala da OMS para adultos
A Escala de Autorrelato de Sintomas de TDAH em Adultos (ASRS-18) tem 18 perguntas sobre dificuldades dos últimos seis meses. Elas tratam de terminar tarefas, se organizar, lembrar compromissos e esperar a vez. A escala foi criada junto com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e publicada em 2005 por Ronald Kessler e colegas. O estudo incluiu 154 adultos nos Estados Unidos. Nesse estudo, uma versão curta, com 6 das 18 perguntas, identificou 68,7% dos adultos com TDAH, e a soma das 18 perguntas identificou 56,3%. Ou seja, um resultado baixo não exclui o diagnóstico.
Faça a ASRS-18. O nosso teste usa as 18 perguntas em dois blocos de nove. A leitura por blocos é uma orientação prática do blog e não foi validada em estudos. Explicamos como ela funciona no texto sobre como funciona a ASRS-18. Para entender como o TDAH aparece depois dos 18 anos, leia sobre déficit de atenção e hiperatividade no adulto.
Já fez os testes e quer saber o que fazer com os números? Continue lendo!
Como interpretar o resultado do teste de autismo e TDAH?
Uma pontuação alta no AQ-50, baixa no EQ-60 ou com muitas respostas frequentes na ASRS-18 indica que vale conversar com um médico sobre o assunto. No CAT-Q, uma pontuação alta indica maior camuflagem relatada. Em nenhum dos quatro testes uma pontuação baixa exclui a condição. Na hora de ler o seu resultado, vale lembrar:
- Siga o período pedido em cada teste. A ASRS-18, por exemplo, pergunta sobre os últimos seis meses.
- Autismo e TDAH aparecem juntos com frequência. Uma meta-análise publicada na Lancet Psychiatry em 2019 por Lai e colegas reuniu estudos sobre várias condições em pessoas autistas de todas as idades. Para o TDAH, a estimativa foi de cerca de 28%, com taxas maiores em pessoas atendidas em serviços de saúde.
- Conte como está o seu momento. Se você está passando por uma fase de muita ansiedade, tristeza ou cansaço, diga isso ao médico junto com o resultado.
- Nenhum teste online substitui a consulta. Não use o resultado como “autodiagnóstico” nem para começar ou parar qualquer tratamento.
Quando procurar um neurologista ou psiquiatra?
Procure avaliação quando as dificuldades atrapalham a sua vida há bastante tempo, qualquer que tenha sido a pontuação. Pense no trabalho ou no estudo que não rende apesar do esforço e em relacionamentos que se desgastam. Pense também no cansaço extremo depois de encontros sociais, nos esquecimentos frequentes ou naquela sensação antiga de que “algo em mim funciona diferente”.
Na consulta, o médico ouve a sua história, aplica escalas clínicas e investiga outras causas para o que você sente. Se for o caso, confirma o diagnóstico e propõe um plano de cuidado. Este texto é educativo e não substitui a avaliação individual com um profissional de saúde. Agende uma avaliação para TEA e TDAH em adultos e leve a pontuação dos seus testes.
Ainda ficou com alguma dúvida? Veja as perguntas que mais recebemos.
Perguntas frequentes
O teste de autismo e TDAH online é confiável?
Ele serve como triagem e não faz diagnóstico. Os estudos citados aqui testaram as versões originais, em inglês. As versões desta página são traduções para o português, que não foram testadas neste formato online, e o resultado serve para orientar a conversa com o médico. Responda com sinceridade, pensando em como você costuma ser. Depois, leve a pontuação a um profissional, que vai lê-la junto com a sua história de vida.
Posso fazer o teste de TDAH se já desconfio de autismo?
Pode, e faz sentido. As duas condições aparecem juntas com frequência: a revisão de Lai e colegas, de 2019, estimou que cerca de 28% das pessoas autistas também têm TDAH. No consultório, vemos sintomas que se misturam, como a distração de quem está cansado de processar tantas informações sociais. Levar os dois resultados para a consulta ajuda o médico a montar o quadro completo e a decidir por onde começar.
O teste de TDAH e autismo é gratuito?
Sim. Os quatro testes desta página são gratuitos. Você pode fazer um por vez, no seu ritmo, e voltar depois para os outros. Anote a pontuação de cada um para levar à consulta, porque o médico vai olhar o conjunto dos resultados junto com a sua história.
O resultado deu baixo, mas você se identifica com os sinais?
Isso acontece, porque nenhuma pontuação baixa exclui autismo ou TDAH. No consultório, vemos esse caso com frequência em mulheres e em adultos que aprenderam a disfarçar bem as dificuldades. Se os sinais atrapalham a sua vida, procure um neurologista ou psiquiatra com experiência em adultos. A avaliação inclui a sua história desde a infância, o relato de familiares e a observação direta, coisas que nenhum questionário cobre.
Conclusão
Neste artigo explicamos para você como funciona o teste de autismo e TDAH em adultos do nosso blog. Ele reúne o AQ-50, o EQ-60, o CAT-Q e a ASRS-18. Mostramos o que cada questionário mede, de onde vêm os números de referência e como ler a sua pontuação. O resultado é o começo de uma investigação feita junto com um profissional.
A sua pontuação acendeu o alerta, ou você se reconheceu nos sinais descritos? O próximo passo é uma avaliação com um neurologista com experiência em TEA e TDAH no adulto. O Dr. Matheus Trilico atende adultos com TEA e TDAH em Curitiba e por telemedicina. Conheça melhor o Dr. Matheus Trilico e agende sua consulta. Gostou? Então compartilhe o conhecimento!
Referências Bibliográficas
- Baron-Cohen S, Wheelwright S, Skinner R, Martin J, Clubley E. The autism-spectrum quotient (AQ): evidence from Asperger syndrome/high-functioning autism, males and females, scientists and mathematicians. J Autism Dev Disord. 2001;31(1):5-17. PMID 11439754. https://doi.org/10.1023/a:1005653411471
- Woodbury-Smith MR, Robinson J, Wheelwright S, Baron-Cohen S. Screening adults for Asperger Syndrome using the AQ: a preliminary study of its diagnostic validity in clinical practice. J Autism Dev Disord. 2005;35(3):331-335. PMID 16119474. https://doi.org/10.1007/s10803-005-3300-7
- Baron-Cohen S, Wheelwright S. The empathy quotient: an investigation of adults with Asperger syndrome or high functioning autism, and normal sex differences. J Autism Dev Disord. 2004;34(2):163-175. PMID 15162935. https://doi.org/10.1023/b:jadd.0000022607.19833.00
- Hull L, Mandy W, Lai MC, Baron-Cohen S, Allison C, Smith P, Petrides KV. Development and validation of the Camouflaging Autistic Traits Questionnaire (CAT-Q). J Autism Dev Disord. 2019;49(3):819-833. PMID 30361940. https://doi.org/10.1007/s10803-018-3792-6
- Kessler RC, Adler L, Ames M, et al. The World Health Organization Adult ADHD Self-Report Scale (ASRS): a short screening scale for use in the general population. Psychol Med. 2005;35(2):245-256. PMID 15841682. https://doi.org/10.1017/s0033291704002892
- Lai MC, Kassee C, Besney R, et al. Prevalence of co-occurring mental health diagnoses in the autism population: a systematic review and meta-analysis. Lancet Psychiatry. 2019;6(10):819-829. PMID 31447415. https://doi.org/10.1016/S2215-0366(19)30289-5
Dr. Matheus Trilico é neurologista referência no diagnóstico e acompanhamento de TEA e TDAH em adultos. Formado em medicina pela Faculdade Estadual de Medicina de Marília (FAMEMA) e com residência em Neurologia pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR) e mestre também pela UFPR. Além de atuar como neurologista em consultório privado e trabalhou por anos no Sistema Único de Saúde (SUS), realizando também atividades acadêmicas. Dr. Matheus Trilico acredita que o ser humano precisa conhecer bem sua saúde e, por isso, transmite as informações sobre o quadro clínico de forma clara e didática, reafirmando seu compromisso com a exímia relação médico-paciente. Amante da tecnologia, busca utilizá-la para agregar conhecimento e facilitar a vida dos pacientes, mas sem perder seu foco: o humanismo e a qualidade do atendimento médico.
CRM 35.805/PR – RQE 24.818