Na CID-11, da Organização Mundial da Saúde (OMS), o código do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é 6A05. Ele se divide em 6A05.0 (predominantemente desatento), 6A05.1 (predominantemente hiperativo-impulsivo), 6A05.2 (apresentação combinada), 6A05.Y (outra apresentação especificada) e 6A05.Z (não especificada). Na CID-10, ele fica no grupo F90, e o código F90.0 corresponde a distúrbios da atividade e da atenção. Quer entender melhor cada código? Vamos te explicar!
Principais Tópicos Deste Artigo
O que é a CID?
A Classificação Internacional de Doenças (CID), também conhecida como Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, surgiu em 1893 como uma “lista internacional das causas de morte”, adotada pelo Instituto Internacional de Estatística. Em 1948, na sua 6ª revisão, a classificação passou a ser responsabilidade da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Trata-se de uma das principais ferramentas epidemiológicas utilizadas diariamente por médicos e demais profissionais ligados à saúde. A CID classifica e padroniza a nomenclatura das doenças, facilitando a comunicação entre os diferentes profissionais da saúde mundialmente, além de facilitar o monitoramentos global de doenças.
O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH)
De forma resumida, o TDAH é, normalmente, caracterizado pela dificuldade de concentração, inquietação e hiperatividade. Trata-se de um transtorno do neurodesenvolvimento com forte influência genética, que compromete o desenvolvimento de algumas partes e estruturas importantes do cérebro, associadas ao estímulo e ao sistema de recompensa.
O TDAH, apesar de inicialmente conhecido como uma doença de crianças, também se manifesta na vida adulta e pode trazer diversas consequências negativas, como prejuízos sociais, problemas emocionais, desânimo, ansiedade e problemas de saúde.
Na idade adulta, identificar o TDAH pode ser difícil, uma vez que os sintomas podem ser semelhantes aos sinais de quadros de estresse e transtornos de ansiedade ou de oscilação de humor. Por isso, é fundamental a avaliação especializada de um neurologista, psiquiatra e neuropsicólogo(a).
O tratamento pode reduzir os sintomas e os prejuízos e melhorar a qualidade de vida. A evolução varia de pessoa para pessoa. Em geral, isso acontece por meio de tratamento medicamentoso, com substâncias que ajudam a melhorar o foco, além de psicoterapia. Temos alguns materiais sobre o assunto, incluindo um teste online gratuito em nosso blog.
CID-10 ou CID-11?
A CID é atualizada frequentemente. A CID-10 foi aprovada pela Conferência Internacional para a Décima Revisão, em 1989, e adotada pela Quadragésima Terceira Assembleia Mundial de Saúde para entrar em vigor em 1º de janeiro de 1993. Ao longo dos anos seguintes, os países foram adotando a Classificação oficialmente. No Brasil, a CID-10 é usada nas estatísticas de mortalidade.
Em 1º de janeiro de 2022, a OMS colocou em vigor a CID-11, lançada em 2018. Mas cada país decide quando passa a usá-la. No Brasil, a Nota Técnica nº 91/2024 do Ministério da Saúde prevê o início do uso da CID-11 nos sistemas de vigilância em saúde a partir de janeiro de 2027 (cronograma divulgado em fevereiro de 2025), o que não significa a troca imediata em todos os sistemas. Essa versão da Classificação Internacional de Doenças é bem mais detalhada que a CID-10. Dentre as principais novidades, está a inclusão dos distúrbios associados a games e capítulos inéditos sobre saúde sexual. Outro ponto positivo é a maior quantidade de detalhes nos códigos relacionados à resistência antimicrobiana, além de melhorias na classificação do autismo e de outras doenças.
CID TDAH
A seguir, mostraremos as CID-10 e CID-11 para o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH):
CID-10 TDAH
F90 Transtornos hipercinéticos
F90.0 Distúrbios da atividade e da atenção
F90.1 Transtorno hipercinético de conduta
F90.8 Outros transtornos hipercinéticos
F90.9 Transtorno hipercinético não especificado
CID-11 TDAH (tradução não oficial)
6A05 Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade
6A05.0 Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade predominantemente desatento
6A05.1 Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade predominantemente hiperativo-impulsivo
6A05.2 Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, apresentação combinada
6A05.Y Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, outra forma de apresentação
6A05.Z Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, apresentação não especificada.
Quer ver essa e outras doenças na nova CID-11? Então acesse o site oficial da OMS aqui.
Dr. Matheus Trilico é neurologista referência no diagnóstico e acompanhamento de TEA e TDAH em adultos. Formado em medicina pela Faculdade Estadual de Medicina de Marília (FAMEMA) e com residência em Neurologia pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR) e mestre também pela UFPR. Além de atuar como neurologista em consultório privado e trabalhou por anos no Sistema Único de Saúde (SUS), realizando também atividades acadêmicas. Dr. Matheus Trilico acredita que o ser humano precisa conhecer bem sua saúde e, por isso, transmite as informações sobre o quadro clínico de forma clara e didática, reafirmando seu compromisso com a exímia relação médico-paciente. Amante da tecnologia, busca utilizá-la para agregar conhecimento e facilitar a vida dos pacientes, mas sem perder seu foco: o humanismo e a qualidade do atendimento médico.
CRM 35.805/PR – RQE 24.818